Há exatos 17 anos, mais de 70 meninos que dormiam nos arredores da Igreja da Candelária, no Centro do Rio, foram surpreendidos com um ataque a tiros de um grupo de policiais a paisana durante a madrugada. Vários ficaram feridos, e oito foram mortos – jovens com idade entre 11 e 19 anos.

Em 26 de julho de 1990, onze pessoas, dentre elas sete menores, foram retiradas de um sítio em Magé por um grupo que se identificava como policial. Nem eles nem seus corpos até hoje foram encontrados. O crime ficou conhecido como Chacina de Acari – bairro onde as vítimas moravam.

Hoje, cerca de mil manifestantes, entre eles organizações como as Pastorais do Menor, da Juventude e de Favela e parentes de vítimas da violência, se reuniram em uma passeata na Avenida Rio Branco, pedindo o Fim da Violência e do Extermínio de Jovens.

A atividade começou às 10h, com uma missa na Igreja da Candelária, seguida de um Ato Ecumênico. Continuou com a caminhada – que contou com bateria, carro de som, e muitas faixas – e terminou com apresentações culturais na escadaria da Câmara Municipal, na Cinelândia.

Se a violência é hoje um dos principais problemas da sociedade brasileira, sua maior vítima é a juventude. Segundo relatório da ONU (2006), o Brasil é o 3º país com maior número de jovens assassinados do mundo. São 51,7 mortes para cada 100 mil jovens, – onde sete em cada dez de 15 a 18 anos são negros. Estudo da Secretaria Especial de Direitos Humanos vai além: estima que 33.504 adolescentes brasileiros serão assassinados em um período de sete anos, que vai de 2006 a 2013.

O perfil da juventude exterminada é bem peculiar: são jovens, do sexo masculino, negros e moradores de áreas periféricas. Essas mortes são causadas muitas vezes por uma violência institucional – por Estados de política repressiva, de criminalização da pobreza. E devem ser combatidas com políticas públicas inclusivas, de combate a pobreza e de acesso a educação, cultura e oportunidades. A nossa mobilização é fundamental na cobrança de políticas transformadoras, que contribuam para a formação de uma sociedade solidária e de paz.

Reproduzo abaixo trecho da carta divulgada pela organização da passeata:

“A Caminhada em Defesa da Vida – Candelária nunca mais! – é um movimento de mobilização pela Vida, pela Paz, pela Liberdade, Respeito e Igualdade. Mas também é um movimento de denúncia e repúdio a toda e qualquer forma de violência, discriminação, crueldade e opressão contra crianças, adolescentes e jovens, sem distinção de cor, raça, classe, gênero ou credo.

Não à criminalização e morte de nossa juventude! É preciso consolidarmos a cultura a favor das crianças e adolescentes de nosso país como prioridade absoluta. Criança e adolescente têm que ser prioridade nas Políticas Públicas e no Orçamento Público!

A história não chegou ao fim. Somos nós quem a escrevemos e a mudamos todos os dias. Seja você também mais um a somar nesta luta por um mundo e uma humanidade melhor!”

Veja mais sobre a campanha da Pastoral de Juventude “A Juventude quer viver: Chega de violência e extermínio de jovens” clicando aqui.

E veja as fotos da atividade de hoje clicando aqui.